Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, vivemos uma época líquida, onde conexões são feitas e desfeitas com facilidade. As relações fluem, os pensamentos ganham novas formas a cada interação e, estabelecemos vínculos transitórios com pessoas e marcas. O movimento é a premissa da atualidade. Contrariando essa tendência, essa semana, o MIT Media Lab apresentou sua nova identidade estática que vem substituir a anterior dinâmica causando surpresa aos designer de todo o mundo.

Se, no começo dos tempos, marca era sinônimo de representação gráfica, hoje elas são plataformas complexas que reúnem pessoas com valores comuns em torno de experiências desejadas. Elas foram humanizadas e estão vivas. Ganharam novas leituras pós-modernas e se algumas foram um total sucesso por apresentar múltiplas versões outras no entanto não foram tão bem sucedidas como foi o caso do projeto dinâmico do Media Lab, que precisou ser redesenhado.

As mudanças sociais motivaram diversos designers a investigar novos modos de representação holísticos para as marcas, explorando novas configurações e dimensões. Um dos primeiros a obter grande sucesso e a ser amplamente premiado, foi o projeto de identidade mutável do estúdio “Manhattan Design” que criou, em 1980, o logo da MTV com uma série de variações na aplicação nas cores da identidade e na representanção do logo.

Mas o que são identidades mutáveis? Conhecidas também como dinâmicas, fluídas ou líquidas são identidades que, em oposição as marcas fixas com apenas uma representação visual, possuem identidades visuais que se transformam dentro de um eixo com regras pré-determinadas, ganhando vida por suas diversas configurações.

Van Nes, no livro Dynamid Identits, estabelece seis componentes que, juntos, criam a identidade de uma marca: tipo, logotipo, cor, aparência, linguagem e elementos gráficos. Ele sugere que, para criar uma identidade dinâmica, é necessário fixar-se em pelo menos um desses componentes para poder brincar com os outros e ainda manter a identidade reconhecível.

Nas identidades dinâmicas o logo pode possuir tanto um desenho único e múltiplas aplicações, quanto diversos desenhos. No caso dos desenhos múltiplos eles se formam a partir de parâmetros estabelecidos, comunicando a versatilidade ou fluidez da marca em questão. Dentro de um sistema, o logo coexiste com diversos elementos de apoio que compõem graficamente o universo da marca, comunicando, nas diferentes aplicações referentes a cada ponto de contato, a personalidade da mesma.

O caso interessante da nova identidade do MIT Media Lab que foi divulgada essa semana após ser redesenhada apresenta uma grande polêmica em torno de seu redesign. Para entender essa história é preciso voltar a sua identidade anterior lançada em 2011, ao completar seu 25º aniversário.

Na ocasião o MIT apresentou sua nova identidade feita a partir de premissas dinâmicas, projeto dos designers Richard The e E. Roon Kang. Seu logo dinâmico, colorido e animado, buscava passar os conceitos de: transparência, inspiração mútua e colaboração, como consta no vídeo de divulgação da nova identidade do Media Lab, divulgado no artigo de Suzanne Labarre para a Fast Company (em 8/03/2011).

Segundo John Brownlee, o logo foi criado em cima de um grid de 7×7 pixels que possibilitou o desenvolvimento de um algorítimo base para criação de variações, que era a representação lógica e intangível do espírito inventivo do laboratório, pois permitia a geração de até 40 mil variações do mesmo. Cada pessoa que trabalhava no laboratório poderia ter sua própria versão do logo, gerada automaticamente através de uma interface web desenvolvida e customizada para esta função.

Porém, após um tempo de uso do projeto, a equipe do MIT Media Lab observou a necessidade de um novo projeto. Segundo reportagem do portal Fast Company, o redesign foi solicitado ao designer Michael Bierut da Pentagram, e tinha como premissas a necessidade de uma versão principal do logo que pudesse ser reaplicada e/ou enviada a clientes, já que a multiplicação de versões de logos confundia seu uso; além da necessidade de representar e diferenciar os mais de 23 departamentos internos do Media Lab.

O designer foi brifado para criar uma identidade estática para figurar como a logo principal do MIT Media Lab mas que se desdobrasse de modo múltiplo nos 23 grupos que compõem seus departamentos. Do projeto inicial, feito por Richard The e E. Roon Kang, a única coisa que permaneceu foi o grid de 7×7 pixels.

Em seu processo, Bierut se baseou, principalmente, no projeto de logo do MIT Press que foi criado pelo designer Muriel Cooper em 1962. Assim como o projeto de Cooper, a identidade foi criada em cima de uma tipografia usada como forma e toda em preto e branco. O resultado do projeto permitiu que o Media Lab pudesse ter um único logo, formado pelas iniciais “ML” e que seus departamentos pudessem ter logos com suas respectivas iniciais, variando dentro de um sistema que usa o mesmo grid e tipografia.